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3 de abril de 2012

Feliz Páscoa

Feliz Páscoa aos que desdobram a subjetividade, rompendo a casca do ego para deixar renascer a mulher ou o homem novo, e a quem se nutre de TV sem enxergar as maravilhas encerradas no próprio peito. 
Feliz Páscoa  aos artífices da paz que, entre conflitos, exalam suavidade, não achibatam com a língua a fama alheia, nem naufragam nas próprias feridas. 
E aos emotivos que deixam escapar das mãos as rédeas da paciência e nunca abandonam as esporas da ansiedade.

Feliz Páscoa  aos que tecem com o olhar o perfil da alma e, no silêncio dos toques, curam a pele de toda aspereza. 
E aos amantes tragados pelo ritmo incessante de trabalho, carentes de carícias, que postergam para o futuro o presente que nunca se dão. 

Feliz Páscoa  a quem acredita ser o ovo portador de vida, sem que a fé exija que o quebre, e aos incrédulos e a todos quejamais dobraram os joelhos diante do mistério divino.
Feliz Páscoa  aos que identificam as trilhas aventurosas da vida mapeadas na geografia de suas rugas e não se envergonham da topografia disforme de seus corpos.
E a todos aqueles que, robotizados pela moda, se revestem de estátuas gregas carcomidas pela anorexia, sem se dar conta de que a mente mente.
 

Feliz Páscoa  aos que ousam ser gentis e doces, sem pudor de abraçar o menino que carregam dentro de si. 
E aos afoitos, competitivos, turbinados e sarados, enamorados da própria vaidade, incapazes de suportar uma fila de espera.

Feliz Páscoa  aos que sabem amarrar o seu burrico à sombra da sabedoria e jamais negociam a felicidade em troca de uma arroba de milho que, vista à distância, parece pepita de ouro. 
E aos idólatras do dinheiro, fiéis devotos dos oráculos do mercado, reféns de pobres desejos que, saciados de supérfluos, nunca alcançam o essencial.

Feliz Páscoa a quem abre caminhos com os próprios passos e cultiva em seus jardins a rosa dos ventos.
E aos que colhem borboletas ao alvorecer e sabem que a
 beleza é filha do silêncio. 

Feliz Páscoa  aos que garimpam utopias nos campos da miséria e trazem seus corações prenhes de indignação, sem jamais olvidar o próximo como seu semelhante. 
E aos que, montados na indiferença, atropelam delicadezas, até que a dor lhes abra a porta do amor.
 

Feliz Páscoa  aos que nunca fecham a janela ao horizonte, regam suas raízes e não temem pisar descalços a terra em que nasceram. 
E aos que se embriagam de chuvas, ofertam luas à namorada e fazem da poesia a sua lógica.

Feliz Páscoa  aos colecionadores de araucárias, que enfeitam de sonhos suas florestas e, na primavera, colhem frutos de plenitude. 
E aos que brincam de amarelinha ao entardecer e desconfiam dos adultos exilados da alegria.

Feliz Páscoa  aos que se repartem nas esquinas, distribuem aos passantes moedas de sol e, nada tendo, nada temem. E aos que, ao desjejum, abrem sua caixa de mágoas e recontam uma a uma, gravando nos cadernos do afeto dívidas e juros. 
Feliz Páscoa  aos que caminham sobre tatames e, por terem muita pressa de chegar, jamais correm.
E aos navegadores solitários, pilotos cegos e peregrinos mancos, que se arrastam pelas trilhas da desesperança.

Feliz Páscoa  aos políticos obrigados a inventar, para os outros, o futuro que não se deram no passado, e estendem sorrisos para mendigar votos. 
E aos que não se deixam iludir pela insipidez da política e nem atiram seus votos na lixeira do desinteresse, alimentando ratos.

Feliz Páscoa aos trovadores de esperanças, aos fazendeiros do ar e aos banqueiros da generosidade, que sabem tirar água do próprio poço. 
E aos que mantêm em cada esquina oficinas de conserto do mundo, mas desconhecem as ferramentas que arrancam as dobradiças do egoísmo.

Feliz Páscoa a quem seqüestra o melhor de si, escondendo-o nas cavernas de suas mesquinhas ambições, sem coragem de pagar o resgate da humildade. 
E aos que nunca banem do espírito a presença de Deus e fazem da vida uma or/ação.
 

Feliz Páscoa  às bailarinas fantasiadas de anjos que sobem, na ponta dos pés, a curva policrômica do arco-íris, e aospalhaços ovacionados que, no camarim, se miram tristes no espelho, vazios da euforia que provocam.
Feliz Páscoa  aos que descobrem Deus escondido numa compota de figos em calda ou no vaga-lume que risca um ponto de luz na noite desestrelada. 
E aos que aprendem a morrer, todos os dias, para os apegos de desimportância e, livres e leves, alçam vôo rumo ao oceano da transcendência.
 
• Frei Betto é escritor, autor de “Treze contos diabólicos e um angélico” (Planeta), entre outros livros.

18 de março de 2012


João Batista Libânio
Professor na Faculdade jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE)
Adital

Parafraseando Guimarães Rosa, nasce o ano escolar, tudo começa de novo. A esperança teima de continuar viva malgrado as noites frias que pesam sobre nós. Estarrecemo-nos diante da história, que mergulha em escuridões de guerra, de Gulags, de Auschwitz e, no entanto, se recarrega de esperança, de utopias, lá onde menos se esperava. De fato, diz o poeta Manoel Bandeira: "Ah, como dói viver quando falta a esperança!”. O Brasil dá enorme exemplo de recuperar a esperança a cada eleição que chega, mesmo que a anterior tenha trazido dissabores pela derrota ou pela decepção dos eleitos. Estamos em ano eleitoral para prefeito.

O marxista ateu Ernst Bloch tem razão ao dizer que o homem vive enquanto aspira e espera. Só que ele, na obscuridade do ateísmo, não alcança a raiz última dessa força existencial. K. Rahner avançou mais fundo ao ir às raízes antropológicas da esperança. "Sou o que espero com liberdade”. E a liberdade é a capacidade que temos de realizar-nos no mais profundo de nosso ser e de modo definitivo. Então a esperança pertence à constituição mesma de nosso ser. Nunca deixaremos de esperar. Ou de um modo negativo, se desaparecesse em nós a esperança, regrediríamos à noite animal de onde viemos.

O poeta Carlos Drummond versejando sobre a bomba a vê como um câncer, uma besta confusa, mas conclui a poesia com a esperança de que o homem a liquidará. Só uma teimosa esperança consegue afirmar contra toda evidência do momento atual de que acabaremos com a bomba, quando ela até o nome de mãe recebe e semeia milhares de mortes nas contínuas guerras inventadas pelo coração amargo e ganancioso dos desejos de lucro.

Um jornalista guatemalteco, ameaçado de morte na luta pela justiça, também protestava contra a clareza dos fatos. "Nem eu nem ninguém estamos ameaçados de morte. Estamos ameaçados de vida, ameaçados de esperança, ameaçados de amor... Estamos enganados. Nós, os cristãos, não estamos ameaçados de morte. Estamos "ameaçados de ressurreição".

Deixando esse terreno do aquém, Santo Tomás resume a teologia da esperança bíblica numa frase. "Não se deve esperar de Deus algo menos do que ele mesmo”. Por isso K. Rahner nos aconselhava fazer uma única oração: "Pedir Deus a Deus”. Santo Agostinho aproxima de nós e sussurra. "Assim nos faz Deus: fazendo esperar (adiando), amplia o nosso desejo; suscitando em nós o desejo, amplia o nosso coração; ampliando (o coração), ele o faz capaz de acolhê-Lo”. Deus brinca conosco no sentido lindo do lúdico. Exatamente como a mãe que se esconde do filho pequenino, para que ele corra pela casa a sua procura e a envolva num abraço de carinho e ternura. A esperança habita em nós sob a forma de saudade de Deus. "Teu amor”, escrevia o místico islâmico Rumi, "chegou a meu coração e partiu feliz. Depois retornou e se envolveu com o hábito do amor, mas retirou-se novamente. Timidamente, eu lhe disse: "Permanece dois ou três dias” Então veio, assentou-se junto a mim e esqueceu-se de partir”.

A esperança existirá sempre porque Deus nos visitou em seu Filho Jesus, e este ao partir, não quis deixar-nos órfãos (Jo 14, 18) e enviou-nos o Paráclito (Jo 16, 7), que permanecerá conosco para sempre (Jo 14, 16). A nossa esperança não se funda num futuro a vir, mas na certeza de um presente que se desvelará plenamente no final dos tempos. Toda esperança é um já e ainda não. Já do Espírito presente e ainda não da vitória sobre o mal e a morte. Guimarães Rosa fecha belamente essa reflexão: "Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar - é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo".


Retirado: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=65270

27 de fevereiro de 2012

E o pejoteiro saiu a pejotar






E o pejoteiro lembrou aquilo que disse Jorge Boran sobre as “etapas percorridas”. Ele olhou para a sua própria história pastoral e se admirou ao perceber que tudo então fazia sentido, desde a convocação ao grupo de jovens, a nucleação, as reuniões todos os domingos, os retiros, as discussões, as festas, as formações, os encontrões e os encontrinhos... Tudo estava claro agora.


E ele lembrou também sobre o que a Carmem Lucia dizia a respeito da importância da vivência no grupo e na comunidade. E ele pode entender que tudo o que partilhou em sua capela, com aquela gente simples que celebrava e refletia sobre a vida e a missão de Jesus também fazia todo o sentido agora.


Foi na restauração destas lembranças que ele fez memória da frase do Hilário Dick que dizia que a história de um povo é a sua coluna vertebral. Foi olhando para sua própria "coluna" que o pejoteiro percebeu que havia muito ainda para poder caminhar.

Por fim, o pejoteiro lembrou também o que disse o Gisley: “Vamos juntos gritar, girar o mundo. Chega de violência e extermínio de jovens”. O pejoteiro olhou para seu passado, sua história e olhou também para seu presente. Há tanta gente que precisa conhecer o que ele viveu, há tantos que podem fazer esta mesma experiência, mas não a fazem porque nunca ouviram falar de Pastoral de Juventude. Há tanto bem para ser feito.


Então o pejoteiro tomou uma decisão. Ele pegou sua Bíblia, suas fichas de dinâmicas, seus livros sobre pastoral e sobre juventude, sua pasta de cantos, seu violão e muitos papéis coloridos, fitas, panos, bandeiras, botões, cola e tesoura. Ele iria partir em missão. Tinha muitas sementes que gostaria de lançar. E o pejoteiro saiu a pejotar.


Num primeiro momento chegou num grupo fantástico. A turma era dinâmica e alegre. Ele chegou e se apresentou. Embora eles não soubessem o que significava ser pejoteiro, o jovem foi acolhido de uma forma exemplar. Lá ele aprendeu e ensinou coisas. Foi uma experiência bacana estar com eles. Saiu de lá fortalecido. E deixou um grupo mais animado ainda.


Chegou num segundo grupo. Passou um tempo com eles. Ele falou, provocou, tocou, cantou, fez dinâmicas, mas não sentia profundidade neles. Quando parecia que a ideia lançada ali ia produzir algo, logo a proposta morria. E o pejoteiro achou suas sementes preciosas demais para serem gastos com jovens sem tanta acolhida.


E partiu novamente para sua missão num terceiro grupo. E ficou bastante tempo com eles também. E foi percebendo que embora as propostas que ele chegou a lançar ali parecessem surtir algum efeito, na verdade ninguém as assumia de fato. Os jovens dali tinham tantas opções, que não priorizaram o que o pejoteiro havia proposto. Quando havia conflitos de interesses ou as datas batiam, suas propostas, embora bem acolhidas, não vingavam. E o pejoteiro achou novamente que suas sementes eram preciosas demais para serem desperdiçadas com jovens com outras prioridades.


Mas quando chegou no quarto grupo se deparou com uma situação ainda pior. Por mais que ele insistisse, por mais criativo que ele fosse, não importava quantas piruetas desse ou quais músicas cantasse, o grupo não saia do marasmo. A proposta lançada parecia não surtir efeito. Eram como sementes jogadas num concreto seco e quente. Nada vingava ali. E o pejoteiro partiu novamente.


Voltou para sua capela. Precisava recarregar as baterias. Participou então de um círculo bíblico. Eles refletiam o segundo capítulo de Mateus. E um versículo soou para ele como uma epifania: “As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes”. Foram as palavras de Jesus que lhe deram um ânimo novo. O problema não era o que fazia, as dinâmicas que usava ou a música cantada. Muito menos o problema estava na sabedoria e na vontade do pejoteiro. Era preciso tratar da doença. Ir até as causas e não olhar somente para as consequências.


A realidade de cada grupo foi pouco valorizada por ele. O problema era o “como”. Cada um dos grupos merecia um tratamento e uma abordagem diferente de acordo com o chão em que ele pisava. A semente que ele lançava era importante? Claro que era. Mas um bom agricultor sabe cuidar da terra antes do plantio. Assim, ele pode tirar as pedras, adubar e revirar aquelas pouco profundas, como também pode retirar os espinhos que sufocam as plantinhas recém brotadas e carpir o mato que brotava junto com elas. E mesmo que seja uma superfície de concreto, não há nada que o tempo, a chuva e o vento não faça brotar nas rachaduras. Há sempre de se encontrar as brechas.


E o pejoteiro, criativo como era, voltou. E antes de lançar as sementes procurou conhecer a realidade dos grupos por onde passava. Tão importante quanto apresentar a proposta e motivar sua vivência é conhecer o chão que se pisa. Só assim se pode por a mão na massa com eficiência, ousadia e confiança.

Retirado do blog: http://www.pjcriciuma.com/

5 de fevereiro de 2012

O mês de janeiro de 2012 ficará marcado na história da Pastoral da Juventude. Além de realizar o seu décimo encontro nacional (ENPJ), com a presença de mais de seiscentas lideranças e assessores de todo o Brasil, a PJ aproveitou a atividade e lançou, nas terras de Maringá/PR, o subsídio de estudo denominado “Pastoral da Juventude: um jeito de ser e fazer - Somos Igreja Jovem”.

A construção do subsídio teve a contribuição coletiva de muitas mãos, mãos de jovens e assessores de todo o Brasil, que durante todo o ano de 2011 debruçaram-se para aprofundar os temas necessários para o subsídio.
A publicação traz em seu conteúdo elementos importantes para a caminhada evangelizadora da Pastoral da Juventude, como a história, a identidade, a missão, os princípios, a espiritualidade, entre outros assuntos. Dá destaque especial aos seis projetos nacionais e aos itens sobre a organização da PJ.
 
Para o jovem Thiago Silveira, da arquidiocese de Fortaleza/CE, “a publicação é sem dúvida um marco para nossa caminhada pastoral. Não somente para o grupo que estava no ENPJ, mas para todas as outras mãos que ao longo da história ajudaram a escrever a vida da Pastoral da Juventude.” A jovem baiana Deisy Rocha, de Vitória da Conquista/BA, destaca que “a publicação chegou em um momento muito bom para nossos jovens, pois em meio a tantas formas de manifestar a fé no Cristo Ressuscitado, a PJ vem oferecer com este material elementos que reafirmam a identidade, a espiritualidade, a nossa missão e acima de tudo nosso jeito particular de Ser Igreja. Jeito este que é desafiador, alegre, comprometido e que busca estar junto dos mais necessitados.”
 
Destaca-se também o processo que a PJ quer desencadear nos próximos anos, por isso, optou em publicar o material como subsídio de estudo. Pois quer, ao longo dos próximos dois anos, desencadear um processo de estudo e aprofundamento, para que, na sua próxima atividade deliberativa (Ampliada Nacional, em 2014), seja aprofundado todo processo de estudo realizado pelos milhares de jovens e assessores organizados como PJ no Brasil.
 
A Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores da PJ deseja que todos os envolvidos no processo de evangelização juvenil possam contribuir com este material, sejam eles jovens ou assessores, leigos, leigas, bispos, padres ou religiosos, pertencentes a coordenações e assessorias regionais, diocesanas, paroquiais ou comunitárias, Congregações Religiosas, Centros e Institutos de Juventude, Pastorais Sociais, Movimentos Eclesiais Juvenis e outras organizações ou expressões juvenis. E é nesse sentido que todos estão convidados a enviar contribuições, sugestões e revisões ao material. A sugestão é criar momentos de estudo para debater o conteúdo e enviar suas contribuições ao e-mail publicacoes@pj.org.br.
 
Nesse caminho de preparação à Ampliada Nacional da PJ, em 2014, e de estudo deste subsídio, além de receber as contribuições no e-mail, também haverá outros passos de avaliação e análise. Portanto, serão disponibilizados no site da PJ (www.pj.org.br) formulários para o envio de contribuições, a partir de fevereiro de 2012.
 
Durante o ENPJ foram distribuídos para todos os estados mais ou menos 18 mil exemplares da publicação. O objetivo é que cada diocese e cada grupo possam ter acesso à publicação, aprofundando-a em sua realidade. “No desejo e na esperança de que muitos possam ter acesso a essa obra e contribuam no seu aprofundamento e atualização nos grupos de jovens em toda realidade brasileira”, diz Pe. Maicon Malacarne, da Diocese de Erexim/RS
Todo este processo de impressão e distribuição da publicação foi feito em parceria com a Editora FTD, que além de apoiar esta iniciativa, também colaborou com o Encontro Nacional da PJ.
 
Além de tudo isso, a publicação contém em si um momento e uma época no percurso da caminhada da Pastoral da Juventude, rumo à construção do Reino de Deus. Um registro da identidade e da ação de uma pastoral movida pelo compromisso histórico com os jovens empobrecidos, sujeitos da novidade e dos direitos.
 
A convocação da PJ é que todos e todas sejam multiplicadores da Boa-Nova e do material junto aos jovens, tratando-o como subsídio de estudo, contribuindo na formação dos jovens dos grupos e no processo a ser vivido até a Ampliada de 2014.
 
A convocação é antes um apelo a seguir juntos, na fidelidade ao projeto de Jesus, construindo sempre nossa história com muitas mãos e em mutirão.
 
 
Joaquim Alberto Andrade Silva
Comissão Nacional de Assessores/as da Pastoral da Juventude
Fonte: http://www.pj.org.br/

24 de janeiro de 2012

2012: ano de resistência e de resiliência

Os cenários da situação da humanidade, especialmente nos países centrais, são perturbadores. As crises escondem grande padecimento humano, especialmente dos mais vulneráveis dos quais quase ninguém fala.
Face a esta situação devemos resistir e viver a resiliência, vale dizer, aquela atitude de enfrentar com destemor os problemas, dar a volta por cima e aprender dos revezes da vida, pessoal e coletiva.Isso se impõe se a crise geral atingir também nosso pais, o que não é impossível. O importante é não se resignar mas manter a vontade de mudar e crescer. Neste contexto, lembrei-me de um mito antigo da área mediterrânea da Europa por mim já referido em outros escritos.
De tempos em tempos, reza o mito, a águia, como a fênix egípcia, se renova totalmente. Ela voa cada vez mais alto até chegar próxima ao sol. Então as penas se incendeiam e ela toda começa a arder. Quando chega a este ponto, se precipita do céu e se lança qual flecha nas águas frias do lago. Através desta experiência de fogo e de água, a velha águia rejuvenesce totalmente. Volta a ter penas novas, garras afiadas, olhos penetrantes e o vigor da juventude. Seguramente este mito subjaz ao salmo 103 onde se diz:”O Senhor faz com que minha juventude se renove como uma águia”.
Fogo e água são opostos. Mas quando unidos, se fazem poderosos símbolos de transformação. Segundo a psicologia do profundo de C. G. Jung, o fogo simboliza o céu, a consciência e as dimensões masculinas no homem e na mulher. A água, ao contrário, a terra, o inconsciente e as dimensões femininas no homem e na mulher. Passar pelo fogo e pela água significa, portanto, integrar em si os opostos e crescer na identidade pessoal. Ninguém ao passar pelo fogo ou pela água permanece intocado. Ou sucumbe ou se transfigura, porque a água lava e o fogo purifica.
A água nos faz pensar também nas grandes enchentes que temos assistido, estarrecidos, em janeiro de 2011 nas cidades serranas do Estado do Rio, especificamente na minha na qual vivo, Petrópolis. Assistimos aqui a um verdadeiro tsunami que carregou tudo que estava pela frente, matando centenas de pessoas e deixando um sem número de desabrigados. São tragédias, evitáveis mas que acontecem e que devemos enfrentá-las com coragem. O fogo nos faz imaginar as fornalhas que queimam e acrisolam tudo o que não é essencial, deixando ouro ou o ferro puros. São as notórias crises existenciais. Ao fazermos esta travessia dolorosa e purificadora, deixamos aflorar o nosso eu profundo. Então amadurecemos para aquilo que é autenticamente humano. Quem recebe o batismo de fogo e de água rejuvenesce como a águia do mito antigo.
Mas indo diretamente ao assunto: que significa concretamente rejuvenescer como águia? Significa entregar à morte tudo aquilo que de velho existe em nós para que o novo possa irromper e ser integrado. O velho em nós são os hábitos e as atitudes que não nos engrandecem, como a falta de solidariedade para com os pobres, as palavras duras para com os familiares, a vontade de ter razão em tudo, o descuido para com o lixo, o desperdício da água e nossa surdez face ao que a natureza nos quer dizer. Tudo isso deve ser entregue à morte para podermos inaugurar uma forma sustentada de convivência entre os humanos e com os demais seres da criação. Numa palavra, significa morrer para ressuscitar.
Rejuvenescer como águia significa também desprender-se de coisas que um dia foram boas e de idéias que foram luminosas mas que lentamente se tornaram ultrapassadas e incapazes de inspirar o caminho da vida.
Rejuvenescer como águia significa ter coragem para recomeçar e estar sempre aberto a escutar, a aprender e a revisar. Em outras palavras, viver concretamente a resiliência. Não é isso que nos propomos cada ano?
Que o ano de 2012 que acaba de se inaugurar, seja oportunidade de perguntar o quanto de galinha existe em nós que não quer outra coisa senão ciscar o chão ou o quanto de águia ainda há em nós, disposta a rejuvenescer, a desenvolver resiliência e a confrontar-se corajosamente com os tropeços e as crises da vida.

16 de janeiro de 2012

Pastoral da Juventude: Uma história tecida com muitas mãos e feita em mutirão



A história da Pastoral da Juventude é tecida com muitas mãos e feita em mutirão por milhares de jovens, assessores, religiosos, religiosas, padres, bispos, leigos e leigas em todos os cantos de nosso querido e amado Brasil.

Este subsídio de estudo que com grande alegria entregamos a cada um e cada uma de vocês é também um esforço coletivo de muitas mãos. Agora convidamos que colaborem na sistematização da caminhada da PJ, por meio deste subsídio.

Em janeiro de 2014, a PJ no Brasil realizará mais uma Ampliada Nacional, tempo de avaliar e planejar a caminhada. Também será momento de revisitar este subsídio, mas não queremos fazê-lo apenas com os delegados que estiverem presentes. Desejamos que todos os envolvidos no processo de evangelização juvenil possam contribuir com este material, sejam eles jovens ou assessores, leigos, leigas, bispos, padres ou religiosos, pertencentes a coordenações e assessorias regionais, diocesanas, paroquias ou comunitárias, Congregações Religiosas, Centros e Institutos de Juventude, Pastorais Sociais, Movimentos eclesiais Juvenis e outras organizações ou expressões juvenis.

É nesse sentido que todos estão convidados a enviar contribuições, sugestões e revisões ao material que agora entregamos a vocês. Convidamos todos a criar momentos de estudo para debater o conteúdo que está em nossas mãos e enviar suas contribuições ao e-mail publicacoes@pj.org.br.

Nesse caminho de preparação à Ampliada Nacional da PJ em 2014 e de estudo deste subsídio, além de receber as contribuições no e-mail, também teremos outros passos de avaliação e análise. Portanto, iremos disponibilizar no site da PJ (www.pj.org.br) formulários para o envio de contribuições, a partir de fevereiro de 2012.

Nosso desejo é que, ao fim da Ampliada, tenhamos um material construído com a ajuda de todos que acreditam na proposta da PJ e que assumem a vida da juventude como causa. Sigamos juntos, construindo essa história da PJ com muitas mãos e em mutirão.

Projetos Nacionais:

13 de janeiro de 2012

Cultura de periferia na periferia

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A antropofagia periférica parece comer toda a obra de arte da cultura culta, transformando-a em arte-vida, a partir da experiência cotidiana de quem a produz. A produção não é praticada apenas para que se alcance o reconhecimento pessoal de sua criação, mas p/ que tenha um uso, tanto p/ quem cria como p/ quem a consome
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por Renato Souza de Almeida
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A expressão cultura de periferia é algo que passou a ser utilizado muito recentemente, seja nos movimentos sociais ou nas pesquisas acadêmicas. Desde os anos 1980, a palavra periferia passou por um intenso processo de metamorfose semântica. Naquela década, Eder Sader havia encontrado na periferia novos personagens políticos que organizavam movimentos sociais diversos; Magnani achou o circo, o futebol de várzea, os violeiros e outras formas de lazer; e, alguns anos depois, Helena Abramo deparou-se com os jovens punks... Mesmo com todas essas peculiaridades, nos anos 1980 ainda não era comum a referência a uma cultura ou arte de periferia. Bem como, não era tão tranquilo para os jovens assumirem que viviam em regiões periféricas, seja na busca de emprego ou em alguma paquera que conseguiam em uma discoteca, por exemplo. Como morador de região periférica desde o nascimento, em minha adolescência, no início dos anos 1990, não foram poucas as vezes em que via jovens, da minha faixa etária, negarem seus bairros de origem por vergonha de terem que assumir morar na periferia.

A partir de meados da década de1990, com o boom do movimento hip-hop, a periferia começou a ser vista por muitos jovens com sentimento de orgulho, o que provocou, inclusive, o interesse de jovens de classe média e alta pela estética periférica. Com a música dos Racionais MC’s, por exemplo, a região da zona sul passou a ser comentada pelos jovens, despertou curiosidade em quem não a conhecia e certa vaidade para quem lá vivia, pois o país todo tomou conhecimento da sua quebrada. Da mesma forma, com o sucesso de alguns grupos de pagode, como o Negritude Junior, liderado por Netinho de Paula, que tratavam do cotidiano das periferias em suas músicas, tornou-se comum encontrar pessoas vestindo camisetas com os dizeres 100% Cohab100% zona leste ou100% periferia. Os anos 1990 foram acompanhados por uma valorização simbólica das periferias. Ao mesmo tempo que crescia a midiatização da violência, diversos programas televisivos e filmes procuravam tratar da vida dos moradores dessas regiões, apontando aspectos positivos em seus modos de vida e expressões culturais.

No início do milênio, despontaram alguns escritores, moradores das periferias de São Paulo, que ficaram conhecidos como pertencentes ao movimento de literatura periféricaou, como nomeado pela revista Caros Amigos, de literatura marginal. Essas edições comentavam a produção literária de escritores como Sérgio Vaz, Ferrez, Sacolinha, Alessandro Buzo, Allan da Rosa, entre outros. Tais “autores periféricos” também já chamaram a atenção da grande mídia, fazendo-se presentes em diversos programas televisivos e de editoras comerciais, como é o caso da Editora Global.

A antropofagia periférica

Sérgio Vaz é um dos fundadores da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa) que se reúne semanalmente em um boteco na zona sul de São Paulo, onde realiza um famoso sarau. Foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna da Periferia, que aconteceu de 4 a 11 de novembro de 2007 e reuniu vários coletivos culturais, de diferentes expressões artísticas que se identificam com esse movimentomais amplo que vem sendo chamado de cultura de periferia. Seu Manifesto da Antropofagia Periférica, em referência ao Manifesto Antropofágicode Oswald de Andrade de 1928, resume a inspiração que levou à organização da Semana, apontando dentre outras coisas que “a periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor. Dos becos e vielas há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros”.¹

Lendo todo o seu manifesto e observando a forma como os diferentes coletivos e agrupamentos utilizam a palavra periferia, é perceptível que ela assume um sentido para além daquela que é designada como uma relação de distância geográfica a partir de algum centro. Periferia assume um conjunto de representações simbólicas que congrega aspectos relacionados à classe, à etnia, ao lugar de moradia e à condição de jovem na metrópole. Para esses grupos, tornou-se uma espécie de categoria social capaz de dar conta de alguns cruzamentos identitários assumidos na vivência de sua condição.

Embora Sérgio Vaz tenha mais de 40 anos, o público majoritário dos saraus da Cooperifa e das outras ações desenvolvidas por diversos coletivos periféricos da cidade é formado por pessoas jovens, com idade de até 29 anos. Os grupos identificados como culturas juvenisnão recebem essa titulação por serem constituídos integralmente de jovens, mas por terem uma característica que vai dialogar, sobretudo, com a juventude. É o caso dos movimentos punk ou hip-hop. Pois, mesmo que Clemente (da banda punk Inocentes), Nelson Triunfo (dançarino, breaker) ou até Mano Brown (do grupo Racionais MC’s) não sejam mais jovens, o estilo musical que representam tem apelo muito maior entre esse público. Esse talvez seja um dos motivos pelos quais outros jovens de classe média aproximam-se desses eventos. Por mais que haja diferenças na situação sócioeconômica e étnica entre estes e aqueles que estão promovendo as atividades na periferia, o fato de serem jovens parece ser uma porta de entrada que os torna cúmplices em um jeito próprio de experimentar a cidade.

A questão da cor, apontada no Manifestode Vaz como um dos elos da periferia, não demonstra apenas a identidade étnica assumida por esses grupos, mas sua forma de compreender o que chamam de arte. Para diversos coletivos de periferia, a literatura periféricatem suas origens no poeta negro pernambucano Solano Trindade. O escritor é uma das principais referências de suas ações, pois, para esses grupos, não é possível fazer arte sem relacioná-la com suas vidas, assim como fez Solano. Sua poesia incomodava, pois tratava de racismo, preconceito, negritude, num contexto histórico em que, nos discursos oficiais, o Brasil era guiado pelo mito da democracia racial. Não por acaso, esse é o nome de uma biblioteca comunitária na Cidade Tiradentes, extremo leste da cidade, organizada por jovens, em sua maioria negros, de um coletivo chamado Núcleo Cultural Força Ativa. O NCA – Núcleo de Comunicação Alternativa – da zona sul, produziu um vídeo-documentário sobre a vida desse poeta intitulado “Imagens de uma vida simples”.

Nesse sentido, para esses coletivos que produzem arte periférica não há arte pela arte. Ela torna-se ação política à medida que, nas suas práticas, não se pode produzi-la sem relacioná-la à sua inserção social, ao seu “jeito de estar no mundo”, à sua identidade. A arte não está em um plano etéreo ou num campo teológicopura, nos termos utilizados por Walter Benjamin,² mas inserida nas experiências de vida de seus produtores. A reprodução técnica, segundo Benjamin, acabou com a aura da obra de arte original, porém, é responsável por politizar a arte. A obra de arte sai de uma condição deimpalpávelsagrada, para se inserir no cotidiano e na vida das massas. Isso ocorreu, sobretudo, a partir do cinema e da fotografia.

antropofagia periféricaparece comertoda a obra de arte da cultura culta, aurática, transformando-a em arte-vida, a partir da experiência cotidiana de quem a produz. A produção periférica não é praticada apenas para que se alcance o reconhecimento pessoal de sua criação (que, obviamente, diz respeito à própria condição humana), mas para que tenha um uso, tanto para quem cria como para quem a consome. E esse uso é sobretudo político, contra o artista surdo-mudo e a letra que não fala– como afirma o Manifestode Vaz – e a favor da arte, da poesia e da palavra que fala, que denuncia, que anuncia.

Como foi visto, a “questão de classe” sozinha não é uma categoria que dá conta de responder a esse complexo chamado de periferia, mas é elemento importante em seu conteúdo semântico. O centro ou o outro lado da ponte, em referência à Marginal Pinheiros e Tietê, como costumam afirmar os artistas periféricos das zonas sul e norte, é uma fronteira geográfica, mas é também uma linha imaginária que define o lado de cá e o lado de lá. Ou seja, estar na cultura de periferia é tomar partido, assumir um lado, compartilhar uma mesma luta. E esse lado ou essa luta é também uma luta de classes. A pobreza não é um assunto fora de moda para esses grupos, mas vem relacionada a uma série de outros elementos.

Radical, mas não fundamentalista

Nem todos que moram na periferia são pobres. Mas, na cultura de periferia, tratar da pobreza e das precárias condições de vida é uma forma de relacionar arte-vida, como se apontou acima. Há que se diferenciar estar na periferia e estar na cultura de periferia. Para quem mora na periferia e produz arte de periferia, fica difícil perceber tal diferença. Porém, nem todos os artistas que residem na periferia comungam com esse tipo de arte, como, por exemplo, aqueles que fazem uma arte decorativa. Da mesma forma, um morador do centro pode identificar-se com essa arte periférica, muito por conta de sua condição socioeconômica ou étnica. Desde as letras de rap, as poesias marginais, até os vídeospopulares etc., denunciar a desigualdade social e apontar os modos de vida cotidianos dentre os pobres tornou-se conteúdo quase que obrigatório nesse tipo de arte. Contudo, vale ressaltar que, mesmo não se reconhecendo como arte pela arte, a cultura de periferia também não se identifica, a priori, com essa ou aquela ideologia. Sua atitude é política, mas não doutrinária. 


questão de classe citada anteriormente assume muito mais um caráter simbólico de afirmação identitária do que necessariamente um discurso mais elaborado de uma dada ideologia política. Talvez seja possível afirmar que haveria, nessa arte, uma tentativa de, como apontou Nestor Canclini,³ agir sob o dilema de “como ser radical sem ser fundamentalista”. Ou podemos dizer que o conceito de classe pode ser entendido aqui nos termos em que Michael Hardt e Antônio Negri4 o utilizam para compreender a multidão. Para além da associação com a classe operária ou a classe trabalhadora, a multidão é associada a um projeto político daqueles que estão sob a dominação do capital.

Em relação ao local de moradia, associar o bairro, a localidade, a uma categoria mais ampla chamada periferia, como o fez o movimento hip-hop, tornou os limites geográficos e territoriais do bairro algo menos delimitado e possibilitou certa cumplicidade entre os jovens moradores de diferentes bairros periféricos da cidade. Afirmar ser morador da periferia, nesse contexto, significa ultrapassar os limites territoriais da vila ou do bairro comuns na identidade de gangues e galeras, por exemplo.

metamorfose semântica da palavra periferia também cumpriu um papel importante no fortalecimento de redes de articulação dos coletivos de diferentes lugares da cidade, para além de seus bairros de origem. Ao se assumir como um coletivo de arte periférica, o grupo estabelece uma conexão quase automática com outros coletivos de outras regiões. E esse é um aspecto muito apontado pelos próprios coletivos, de que há uma movimentação cultural mais ampla, para além de uma ou outra experiência pontual, identificada aí como arte ou cultura de periferia na cidade.

Edições especiais da revista Caros Amigos (2001, 2002 e 2004) tratavam especificamente da literatura marginal, referindo-se a um movimento de escritores periféricos. Porém, além das experiências de produções literárias e saraus, nesse movimento periférico há coletivos que se reúnem em torno de produções ou ações com audiovisual, blogssites, danças populares, samba de raiz, grafite etc. Uma das iniciativas de visualização em forma de movimento desses diferentes coletivos, com linguagens diversificadas e de distintas localidades da cidade (e da região metropolitana), deu-se através da Agenda Cultural da Periferia, publicada mensalmente pela ONG Ação Educativa de São Paulo. Nessa cidade, muitas dessas experiências de arte periférica vão encontrar abrigo em políticas públicas como o Programa VAI – Valorização de Iniciativas Culturais – da Secretaria Municipal de Cultura ou no Centro Cultural da Juventude.

Um crescente circuito de atividades culturais e políticas está fruindo nas periferias de São Paulo, tendo os jovens como atores e espectadores privilegiados, com uma intensa programação de conteúdo periférico. Essas expressões têm se constituído como nova forma de atuação juvenil em diferentes espaços da cidade nos últimos anos e têm se configurado como um forte movimento social em torno, sobretudo, de bandeiras como odireito à cultura.


Renato Souza de Almeida
Mestre em Antropologia, professor da Faculdade Paulista  de Serviço Social e coordenador do Instituto Paulista de Juventude.


Ilustração: Samuel Casal