11 de janeiro de 2011

A experiência social do grupo de jovens

     A experiência de vida em grupo parece ser inerente à condição humana. Para o bem ou para o mal, a humanidade só é o que é por conta da vivência em grupo. É esta vida grupal que nos torna seres sociais, pois nos possibilita ao mesmo tempo experimentar os sentimentos de igualdade e diferença. A ação desenvolvida está pautada na forma como este grupo se identifica e concebe as questões sociais que o atravessam.

     Há grupos abertos e fechados, democráticos e autoritários, anarquistas e nazistas... A experiência em grupo por si só não significa que seus integrantes terão uma ação mais ou menos solidária ou tolerante entre si ou com membros de outras comunidades ou grupos. A participação mais ativa em um grupo é orientada por certa visão de mundo (guiada por posicionamentos políticos, sociais, ideológicos, religiosos etc.) que este grupo assume. De acordo com esta visão de mundo assumida, os sentimentos de igualdade e diferença experimentados por seus membros podem tomar variados significados.

     Ao ter contato com um grupo, uma pessoa, obviamente, encontra outras pessoas com rostos diferentes, personalidades diferentes, ideias diferentes das suas. Ou seja, internamente, há uma série de diferenças entre os integrantes de um mesmo grupo que, para quem participa, torna-se evidente. No entanto, externamente, na relação com outras pessoas que não pertencem ao grupo, há um sentimento de igualdade entre seus pares, tanto para quem a ele pertence, como para quem observa de fora.

     Porém a igualdade pode ser concebida como hipervalorização do grupo, pois o encontro com o diferente experimentado na vivência grupal pode fortalecer uma dicotomia entre nós e eles (já que agora encontrei os meus iguais). Por outro lado, se esta orientação apontar para outro rumo, a igualdade pode se transformar em desejo de justiça e solidariedade social, e a relação com o outro no grupo criar um sentimento altruísta de respeito e tolerância à diversidade.

O grupo de jovens

     Os jovens se aproximam de um grupo, geralmente, através de sua rede de sociabilidade por convite ou mesmo curiosidade. Os motivos desta aproximação são dos mais variados, desde a busca por novas relações afetivas até afinidades ideológicas. A relação que o jovem tem com um grupo, de início, é sempre de experimentação: experimentam-se relações, concepções, desejos, expectativas... É com o passar do tempo que esta experimentação torna-se identificação.

     Com os jovens, o grupo tem uma função de formação identitária mais intensa do que em outra faixa etária. Em meio às diversas experimentações nas quais os jovens estão imersos (primeiras experiências com o trabalho, com a sexualidade, com as relações fora do núcleo familiar, definição dos estudos...), o grupo pode auxiliá-los na elaboração de suas identidades. Para muitos jovens, a vivência grupal torna-se uma mediação com o mundo, reforçando ou rechaçando valores veiculados pelos meios de comunicação, pelo pensamento religioso ou pelas expressões culturais estabelecidas.

A Pastoral da Juventude

     O desafio de se desenvolver ações em grupo faz com que os jovens experimentem a vida social a partir das suas contradições, mas também a partir das suas potencialidades de transformação. O tempo em que um grupo de jovens se mantém na ativa é correspondente à sua capacidade de encontrar respostas criativas para os dilemas que se colocam no cotidiano da vida grupal e social.

     A ação da Pastoral de Juventude (PJ) revela-se em uma organização de jovens que tem por eixo central de sua ação o trabalho desenvolvido pelos grupos de base. As lideranças da PJ, em geral, iniciam sua militância no grupo de jovens e lá experimentam esses dilemas.

     Enquanto a PJ continuar a se orientar por um referencial identitário de uma igreja libertadora, que faz opção preferencial pelos pobres e aposta numa estrutura horizontal de participação social e eclesial, o grupo de base continuará a ser instrumento de resistência e anúncio de uma nova sociedade possível. A PJ continuará a formar pessoas autônomas, críticas e solidárias na medida em que permanecer assumindo sua vocação pastoral de contribuir com a formação de profetas e profetizas de um novo céu e uma nova terra.
Questões para Debate

1 - A busca de convivência em grupo pode ser uma forma de superar o individualismo? De que forma?
2 - Entre nós constatamos que os jovens procuram seus iguais nos grupos? Que benefício isso traz?
3 - Em tempos de grandes mudanças, quais são os principais desafios da Pastoral da Juventude atualmente?

Renato Souza de Almeida,
mestre em Ciências Sociais e coordenador do Instituto Paulista de Juventude (IPJ), São Paulo, SP.
Endereço eletrônico: viramundo@ig.com.br


Texto publicado no jornal Mundo Jovem, edição nº 403, fevereiro de 2010, página 16.

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